“O chefe da Lava Jato não era ninguém mais, ninguém menos do que (ex-juiz e atual ministro da Justiça, Sérgio) Moro. O procurador (Deltan) Dallagnol, está provado, é um bobinho. É um bobinho. Quem operava a Lava-Jato era o Moro”. A afirmação é do ministro do Supremo Tribunal Federal (STFGilmar Mendes, em entrevista à revista Época, analisando os diálogos entre os dois revelados pelo site The Intercept Brasil. Para Mendes, uma consequência provável é que “eles anularam a condenação” do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cuja sentença proferida por Moro era de 9 anos e 6 meses de prisão.

O ministro também afirmou que há, sim, crimes revelados pelas conversas vazadas entre Moro e Dallagnol. “Um diz que, para levar uma pessoa para depor, eles iriam simular uma denúncia anônima. Aí o Moro diz: ‘Formaliza isso’. Isso é crime”, explicou Mendes, sobre um diálogo em que o procurador diz que vai fazer uma intimação com base em denúncia anônima, porque uma fonte se recusou a prestar depoimento à Lava Jato. Dallagnol dá a entender que não existia denúncia, que ele iria inventar. “Simular uma denúncia não é só uma falta ética, isso é crime”, destacou Mendes.

As conversas entre Moro e Dallagnol revelam que o ex-juiz não apenas adotara uma linha de investigação, como orientava os procuradores. Entre as mensagens estão a combinação de ações, cobranças sobre a demora em realizar novas operações, orientações e dicas de como a Força Tarefa da Lava Jato devia proceder. Além disso, o site revelou que o procurador duvidava das provas contra Lula e de propina da Petrobras horas antes da denúncia do tríplex e que a equipe de Ministério Público Federal atuou para impedir a entrevista de Lula antes das eleições por medo de que ajudasse a eleger o candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad.

Outros ministros do STF ouvidos pela reportagem da revista consideram graves as conversas entre Moro e Dallagnol. O que pode impactar positivamente um pedido de liberdade de Lula. Quatro dos 11 ministros da Suprema Corte brasileira concordam com essa avaliação. Pedindo para não ser identificados, três deles consideram que o conluio entre juiz e procurador pode ser usado como prova pela defesa de Lula para anular as condenações na Lava Jato. O episódio é considerado prova cabal da parcialidade de Moro.

Por Rede Brasil Atual

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